Expectativas para a economia interna em 2008

Há previsão de aumento de 20% no total de concessões de crédito em 2008, pouco abaixo dos 22% de 2007, e da bancarização (aumento do número de correntistas e transações).

Obs.: O Setor bancário impressionou pelos lucros, gerado pelo incremento da oferta de crédito a pessoa física e jurídica. Até o primeiro trimestre de 2007, calcula-se aumento de 25% na oferta do crédito, quase 6 vezes acima da inflação acumulada de 4,12%.

Prevê-se destaque para o financiamento imobiliário, através de facilidades na obtenção, além do aumento de crédito para o segmento de automóveis.

Também deve crescer o financiamento de aumento da capacidade produtiva das empresas, implicando no crescimento do risco. Segundo a CNI (Confederação Nacional das Indústrias):

- 42% das empresas esperam aumentar a capacidade produtiva
- 45% esperam permanecer no mesmo ritmo de investimento
- 13% prevêem redução desses investimentos

O aumento deve ocorrer principalmente em setores ligados ao consumo, já que o PIB tende a continuar crescendo, aliado à geração de empregos, a não ser que ocorra piora na economia mundial.

Para o consumo, é melhor a extensão do prazo do financiamento de aquisição de bens do que a diminuição dos juros. Para o povo, vale mais poder pagar em mais vezes.

Assim, espera-se pouca queda na taxa de juros básica (SELIC), definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária). A maioria dos analistas não prevê cortes ou esperam apenas dois cortes de 0,25% para o segundo semestre.

Uma das ressalvas é com relação ao comprometimento da renda dos brasileiros, inclusive levando-se em conta o crescimento do volume de operações com cheque especial:

- out/2006: R$12,4 bilhões
- jan/2007: R$13,2 bilhões
- out/2007: R$14,5 bilhões

Obs.: Os juros do cheque em outubro de 2007 era de 139% ao ano, enquanto os do crédito pessoal estavam em 49%.

Aquisição do ABN Amro Real pelo Santander

Trata-se do maior negócio da história do setor financeiro no país, custando US$700 bilhões, e 7 meses de negociação.

A fusão fez a nova instituição ultrapassar o Unibanco e até ameaça aposição do Itaú, levando-se em conta o total de ativos.

Para mais informações sobre o setor veja o post sobre o “Setor Bancário”.

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Setor Bancário

Histórico

Logo após as privatizações ocorridas na década de 1990, em 1994 haviam cerca de 250 bancos no país. Atualmente são 153, entre bancos comerciais e múltiplos, porém os 5 maiores concentram mais de 50% do total do sistema financeiro.

Concorrência e expansão

Não há no setor uma concorrência disposta a beneficiar o consumidor com diminuição das taxas de juros e tarifas, em parte porque continua em tendência de crescimento o número de pessoas que utilizam os serviços bancários e porque ainda existe grande potencial de expansão do volume de crédito.

O crédito no país ocupa 34% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto em mercados mais desenvolvidos esse percentual chega a mais de 100%.
Os bancos não competem entre si porque há espaço para crescimento em nichos de mercado sem a necessidade de guerras de taxas, por exemplo.
Abrindo um parêntese, cabe questionar esse modelo tipicamente norte-americano, aceito e replicado internacionalmente, de que a expansão econômica é sempre benéfica, a qualquer custo. Basta ver os efeitos da atual crise, que tem sua origem numa expansão do crédito.

Voltando ao assunto, o aumento de receita com cobrança de tarifas aumentou 7% em relação a 2006, considerando-se somente os meses de janeiro a setembro do ano passado, chegando a R$40,8 bilhões.

Prognóstico

Com a chegada do “Investment grade” (nível de investimento), atribuído ao Brasil pelas agências internacionais de risco, e a chegada de cerca de US$10 trilhões ao país, primariamente dos grandes fundos de pensão e empresas públicas norte-americanas, espera-se que haja mais consolidação no setor (fusões e aquisições), bem como a chegada ao país de instituições financeiras internacionais, interessadas na oportunidade.

A expectativa é que poucos bancos pequenos e médios nacionais sobrevivam, porque como não há possibilidade de aquisições de bancos no topo da lista, todos se voltam para o grupo das instituições médias, como as especializadas no mercado para pequenas e médias empresas e no crédito consignado.

Banco              Ativos (em set/07)   Evolução (em%)  Lucro líquido   Evolução (desde set/06)
Banco do Brasil         R$ 342.398,10             21,60%                     R$ 3.841,20             -19,90%
Bradesco                   R$ 317.647,50             30,60%                     R$ 5.816,80                 73,60%
Itau Holding             R$ 298.483,60             44,20%                     R$ 6.444,30               112,70%
ABN Amro Bank      R$ 156.325,00             72,90%                     R$ 2.249,30                76,90%
Unibanco                   R$ 133.924,60             31,30%                     R$ 2.620,80               123,10%
Santander Banespa  R$ 127.583,70             39,50%                    R$ 13.577,80               52,60%
Total                         R$ 1.376.372,50           35,50%                     R$ 22.330,20              53,90%

Evolução de set/06 a set/07          Patrimônio Líquido       Lucro
Bancos médios                                             169,70%                            82,80%
Bancos grandes                                             26,60%                            53,90%

 

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