Resposta à crise

O objetivo do pacote lançado em dezembro de 2007 pelo banco central americano (Fed – Federal Reserve) em conjunto com o Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu (BCE), Banco do Canadá e Banco Nacional da Suíça foi minimizar o risco de iliquidez no mercado e evitar uma quebra como a de 1929.

O Fed passou a injetar dinheiro no sistema financeiro por meio de empréstimos a bancos, por taxas de juros menores e em operações de curto prazo.

Criou também linhas de swap (troca) em moeda estrangeira com o BCE (US$20 bilhões) e com o Banco Nacional da Suíça (US$4 bilhões), fazendo com que esses bancos pudessem emprestar dinheiro às instituições de seus sistemas bancários, diminuindo a pressão sobre as taxas de juros interbancários.

Essas ações têm mais impacto do que um corte de juros do Fed, pois ajudam o mercado a voltar a níveis normais de crédito e os bancos a emprestarem dinheiro uns aos outros com maior confiança, o que tem como conseqüência a diminuição da desaceleração econômica mundial.

Porém, ao fazer isso, o Fed está subsidiando bancos gananciosos em operações arriscadas, como criação de instrumentos “inovadores” de crédito artificial de alto risco (leia-se subprime), tornando-os mais líquidos e
com menos chance de falência. Além de passar em cartório sua negligência em fiscalizar os bancos.

Além disso, as taxas de juros diminuem no curto prazo, mas tendem a aumentar no longo prazo, sendo um paliativo para a crise, restando torcer para que não seja desencadeada uma profunda recessão.

Obs.: Reservas de bancos centrais estrangeiros (não EUA) no início de 2007:

- Dólar: 66%
- Euro: 25%

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Expectativas para a economia interna em 2008

Há previsão de aumento de 20% no total de concessões de crédito em 2008, pouco abaixo dos 22% de 2007, e da bancarização (aumento do número de correntistas e transações).

Obs.: O Setor bancário impressionou pelos lucros, gerado pelo incremento da oferta de crédito a pessoa física e jurídica. Até o primeiro trimestre de 2007, calcula-se aumento de 25% na oferta do crédito, quase 6 vezes acima da inflação acumulada de 4,12%.

Prevê-se destaque para o financiamento imobiliário, através de facilidades na obtenção, além do aumento de crédito para o segmento de automóveis.

Também deve crescer o financiamento de aumento da capacidade produtiva das empresas, implicando no crescimento do risco. Segundo a CNI (Confederação Nacional das Indústrias):

- 42% das empresas esperam aumentar a capacidade produtiva
- 45% esperam permanecer no mesmo ritmo de investimento
- 13% prevêem redução desses investimentos

O aumento deve ocorrer principalmente em setores ligados ao consumo, já que o PIB tende a continuar crescendo, aliado à geração de empregos, a não ser que ocorra piora na economia mundial.

Para o consumo, é melhor a extensão do prazo do financiamento de aquisição de bens do que a diminuição dos juros. Para o povo, vale mais poder pagar em mais vezes.

Assim, espera-se pouca queda na taxa de juros básica (SELIC), definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária). A maioria dos analistas não prevê cortes ou esperam apenas dois cortes de 0,25% para o segundo semestre.

Uma das ressalvas é com relação ao comprometimento da renda dos brasileiros, inclusive levando-se em conta o crescimento do volume de operações com cheque especial:

- out/2006: R$12,4 bilhões
- jan/2007: R$13,2 bilhões
- out/2007: R$14,5 bilhões

Obs.: Os juros do cheque em outubro de 2007 era de 139% ao ano, enquanto os do crédito pessoal estavam em 49%.